Patriotismo, respeito aos símbolos nacionais e conhecimento da sociedade devem ser trabalhados como parte do conceito contemporâneo de desenvolver as diversas dimensões do educando no ambiente escolar

Uma das grandes particularidades dos Parâmetros Curriculares Nacionais para a educação básica é a preocupação com a construção de um aluno cidadão, que de fato tenha o conhecimento cultural e histórico de sua sociedade, se sentindo parte dela. Assim, para trabalhar esse importante aspecto da educação, torna-se essencial enfocar o conceito e a formação da identidade cultural nacional.

A identidade é certamente o sentimento de pertencer a uma comunidade, território, grupo, e isso ocorre pelos laços de afinidade, identificação, bem como o compartilhamento de bens culturais. O papel do educador, ao trabalhar a temática, é fazer a ponte entre os bens culturais de nossa sociedade e o universo do aluno – que muitas vezes apresenta um olhar neutralizado para o que constitui sua própria cultura.

Entende-se que no Brasil a identidade cultural nacional é fruto de um multiculturalismo que é oriundo de todo o processo de conquista, ocupação e miscigenação. Nesse contexto, a identidade cultural brasileira se vê, até certo ponto, fragilizada devido a não homogeneidade implantada como modelo de sociedade no século 17.

É na pluralidade cultural que a sociedade brasileira é calcada e, portanto, deve ser salientada e valorizada ao trabalhar a identidade nacional no âmbito escolar. Em se tratando das séries iniciais, é preciso enfatizar a aceitação de elementos culturais diversos, tomando como ponto de partida os símbolos identitários culturais do Brasil.

A compreensão da diversidade cultural favorece a aceitação e diminui a aversão aos diferentes costumes, sotaques, termos linguísticos, alimentos, comportamentos etc. Portanto, compreende-se a necessidade de os educadores contribuírem na formação de uma consciência histórica, social e política desde cedo.

Para a formação de uma identidade nacional na escola sugere-se a elaboração de um projeto pedagógico cuja temática pode ser a diversidade cultural brasileira. Sugere-se que esse projeto seja desenvolvido em um período de uma semana, contudo fica a critério do professor realizar do seu jeito. Serão expostos cinco tópicos sugestivos:

1) Trabalhar a identidade das crianças, perpassando a origem delas; os costumes em casa; as receitas, cores e músicas preferidas etc. Pedir dos alunos uma elaboração de texto que contenha a descrição da autoimagem e depois a imagem que se tem do outro. Uma exposição de fotos de cada aluno e leitura desses retratos em forma de debate. Por “fim”, uma elaboração de um livreto sobre a diversidade da turma (no final do projeto). O objetivo dessa parte do projeto é fazer com que o aluno identifique as diversidades físicas, devido às distintas origens, como também à miscigenação. É possível, ainda, identificar as semelhanças entre os colegas. Isso proporcionará o entendimento de que a diversidade é um elemento chave na formação da identidade cultural do país.

2) Aqui se propõe trabalhar o hino nacional. Primeiro o por quê de certas escolas ou lugares cantarem e outros não. A origem do hino, o significado de suas palavras passo a passo. Mas também se sugere que os alunos criem poemas, cartas, bilhetes etc. (textos), tendo como base algum(s) termo(s) da música. O objetivo é fazer com que o aluno entenda o hino nacional para então dar significado ao seu canto na escola.

3) Na quinta feira é possível trabalhar com a bandeira brasileira. O significado das flâmulas, a simbologia da bandeira nacional (elementos e cores). O Hino da Bandeira também pode ser trabalhado seguindo o roteiro do Hino Nacional. O objetivo é o de fazer o aluno entender e dar significado ao ato de hastear a bandeira.

4) Nesse momento, se sugere trabalhar com algumas datas comemorativas históricas escolhidas pelo professor. A origem dela, sua representatividade e uma reflexão em forma de debate. Tome-se como exemplo o 13 de maio (abolição da escravatura); o 20 de novembro (consciência negra); 1º de abril (abolição da escravidão dos indígenas – 1680); 19 de abril (dia do índio); 21 de abril (Tiradentes); 22 de abril (descobrimento do Brasil); 07 de setembro (independência do Brasil); 15 de novembro (proclamação da República); 10 de dezembro (declaração dos direitos humanos). É possível também formar dois grupos, um contra a existência de uma certa data (ou de um grupo de datas) e outro a favor. Os dois precisam, de forma sequencial, defender a sua visão. Todos necessitam utilizar argumentos convincentes. O objetivo aqui é fazer o aluno conhecer a origem de certas datas comemorativas para que, no lugar de decorá-las, ele possa refletir sobre a situação histórico-social por trás de cada data e, consequentemente, incutir o real significado das datas comemorativas.

5) Nessa fase é possível trabalhar com a linguística. Os sotaques, as expressões populares, regionais e locais. Identificar a história e significado de cada expressão. Por exemplo “Bora” ou “Bo” (vamos em boa hora) etc. O objetivo é fazer o aluno conhecer as diversas expressões para, então, respeitá-las. A alimentação também pode ser colocada em pauta. Ao invés de trabalhar com pratos ditos regionais, sugere-se que sejam descobertas (no primeiro dia) quais as receitas prediletas de cada um. O professor pode investigar com antecedência a origem de cada prato e promover uma discussão sobre a culinária brasileira, que é fruto de uma gama de especiarias e alimentos de povos distintos. E a diversidade é então evidenciada devido à agregação de elementos culturais que formam a cultura nacional. Finalizar a semana com uma comemoração bem “verde e amarela” com uma alimentação saudável e típica.

É possível trabalhar outros elementos como: aspectos culturais regionais, eleições; movimentos sociais; presidenciais; produção industrial nacional; documentos históricos; filmes nacionais; documentários e músicas do nosso país. Tudo deve ser escolhido e selecionado com sabedoria e olhar crítico pelo professor.

Considera-se que a temática da identidade cultural nacional é bastante abrangente, como também, relevante. É necessário que o professor conheça a história que dá origem a cada elemento simbólico. Isso facilita a formação identitária do aluno, pois o professor é responsável por formar cidadãos utilizando-se, inclusive, da ética cristã.

Germana Ramirez é doutora em Geografia e professora titular do mestrado profissional em Educação do Unasp-EC.