Do ponto de vista pedagógico, planejar as aulas traz vantagens como economia e controle de tempo e facilidade de avaliação 

Em nossa cultura prática, é muitas vezes inconcebível tirar duas ou três horas para planejar determinada atividade; é preferível executar sem planejar. Isso evidencia que o ato de planejar é visto, na maioria das vezes, como algo inútil, uma perda de tempo.

Como educadores cristãos, devemos encarar nosso ofício com seriedade, e isso significa, entre outras coisas, planejar cuidadosamente as aulas que conduzimos. Afinal, numa escola as aulas devem ser planejadas. Como diz Ellen G. White no livro Educação, “todo professor deve cuidar de que seu trabalho tenda a resultados definidos. Antes de tentar ensinar uma matéria, deve ter em seu espírito um plano distinto, e saber o que precisamente deseja conseguir”. Em outras palavras, ao assumirmos a classe, devemos ter claro – em nossa mente e no papel – aquilo que pretendemos ensinar, bem como alcance e resultados que esperamos obter ao abordar o tema preparado.

No livro 101 Ideias Criativas para Professores, David Merkh e Paulo França descrevem o apóstolo Paulo, que certamente era um excelente professor, como alguém que tinha alvos e objetivos bem claros em seu ensino e pregação. Em Colossenses 1:28 e 29, lemos que ele adverte e ensina as pessoas “com toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim”. Paulo não pregava para simplesmente “ver o que ia acontecer”. Não! Ele tinha um plano, um objetivo claro em mente: Que os seres humanos alcançados pelo evangelho fossem aperfeiçoados em Cristo. E para que isso ocorresse, ele estava disposto a sofrer qualquer sofrimento (Gl 4:19). É evidente, então, que o apóstolo Paulo era guiado por um objetivo claro, o que, obviamente, mostra que ele planejava suas ações.

Do ponto de vista pedagógico, planejar as aulas traz muitas vantagens, tanto para o professor, quanto para os alunos. Daí a importância de gastar tempo nisso. Algumas dessas vantagens são ainda citadas por David Merkh e Paulo França da seguinte maneira:

– O planejamento permite que a lição mantenha o rumo certo, avançando na direção dos objetivos estabelecidos.

– Permite economizar e controlar o tempo, pois sabemos exatamente o que será feito com a classe, e quanto tempo pretende-se gastar em cada atividade.

– Possibilita uma melhor organização do tempo, ajudando a evitar imprevistos e até esquecimento de algum material útil para determinada aula.

– O planejamento também lembra ao professor e à professora os elementos essenciais para a aula: quais livros serão usados, que atividades serão feitas, que perguntas serão trabalhadas, qual o método a ser praticado, que tarefas serão solicitadas etc.

– Incentiva a reflexão sobre o assunto a ser apresentado.

– Permite que o procedimento escrito seja arquivado para uso futuro.

– Facilita a avaliação da aula, bem como posterior reformulação de estratégias e recursos.

Citado por Howard Hendricks no livro Ensinando para Transformar Vidas, o educador John Milton Gregory afirma que “há muitos professores que vão para a sala de aula totalmente despreparados ou preparados apenas em parte. São como mensageiros sem mensagem. Falta-lhes a energia e o entusiasmo necessários para produzirem os resultados que, centralizado por direito, devemos esperar de seu trabalho”. Como sinaliza o Dr. Gregory, assumir uma classe sem estar devidamente preparado certamente atrapalha os resultados que poderiam ser obtidos. Por isso, vale a pena planejar; melhor: é necessário planejar. Mais ainda: É muito importante planejar.

Adolfo Suárez é doutor em Ciências da Religião e reitor das faculdades adventistas de Teologia na América do Sul.