A REA viajou mais de 3.500 quilômetros para descobrir a fórmula de sucesso das melhores escolas adventistas no Enem

O ano de 2007 ficou marcado como o início da padronização do ensino no nível médio da rede adventista. O Sistema Interativo de Ensino (SIE), organizado e editorado pela Casa Publicadora Brasileira (CPB), foi concebido sob orientação da Divisão Sul-Americana para que todos os colégios da rede no Brasil tivessem um currículo unificado.

Os conteúdos, com autoria de importantes especialistas em cada disciplina, passaram a se voltar de forma focada à preparação para o vestibular, com abordagens mais diretas, exercícios em formato “múltipla escolha” e assuntos cobrados nas melhores universidades do país. Além disso, a proposta também passou a fornecer simulados bimestrais dos temas estudados no período.

Outro ponto inovador proposto pelo sistema era o objetivo de manter o material atualizado, já que a ideia foi a de enviar bimestralmente os fascículos do apostilado, favorecendo, se necessário, o incremento de novidades aos conteúdos. Seguindo o modelo do sistema, o segundo semestre do último ano seria dedicado ao “pré-vestibular”, com cadernos trazendo revisões dos assuntos mais cobrados nos processos seletivos de grandes universidades, intensificando a realização de simulados para o estudante se familiarizar com o modelo de prova cobrado pelas instituições de ensino superior em seus processos seletivos.

Mas, para a surpresa de todos, em 2010 o Ministério da Educação decidiu reformar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na intenção de torná-lo uma avaliação em que instituições de ensino superior pudessem usar a nota como passaporte de ingresso. A ideia era a de deixar a prova mais complexa, envolvendo questões multidisciplinares de quatro grandes áreas do conhecimento (linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; e ciências da natureza e suas tecnologias), além da redação.

Outra mudança estava relacionada à duração da prova. O exame passaria a ter dois dias de execução, em cada um deles o estudante resolveria 90 questões de duas áreas, sendo que, em um dos dias, além das objetivas seria necessário também produzir um texto sobre determinado tema proposto pela avaliação. O governo foi além e sugeriu também um modelo padronizado de ingresso nas universidades públicas do país, utilizando o resultado do Enem.

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) seria uma forma interativa do estudante se candidatar a uma vaga no ensino superior em todo o Brasil, vendo em tempo real como está a concorrência, nota de corte e sua colocação para a possível vaga. Após a proposta, a discussão foi inevitável. Muita gente a favor, outros tantos contra, mas, no fim das contas, acabou que o modelo foi adotado, mesmo que, no primeiro ano de funcionamento, diversas universidades preferiram não aderir ou utilizar apenas parcialmente o Enem como processo seletivo. Foi um ano complicado em que cursinhos e escolas tiveram que mudar às pressas seus métodos pedagógicos para preparar os alunos da melhor forma possível para encarar a urgente realidade.

O próprio SIE reconfigurou simulados e módulos da apostila para atender a demanda que pegou a todos de surpresa. Como se não bastassem essas problemáticas encaradas pelos alunos, às vésperas das datas reservadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep – responsável pela organização do Enem) para realização das provas, um vazamento de imagens com os cadernos de questões obrigou o adiamento da aplicação do exame, atrasando processos, deixando alunos ansiosos e colocando em cheque a credibilidade da avaliação.

De lá pra cá cinco edições do exame se passaram, grandes problemas foram sanados, o sistema ganhou experiência e, mesmo com suas evidentes deficiências, o Enem se estabeleceu como um modelo reconhecido internacionalmente por sua dimensão (é o segundo maior do mundo, perdendo apenas para o chinês) e capacidade avaliativa. Essa credibilidade também foi passada às universidades públicas que, ano a ano, foram aumentando a adesão ao Sisu como processo de seleção padrão das instituições. Vale lembrar que não apenas instituições brasileiras, como também diversas portuguesas passaram a aceitar a nota do Enem como critério de ingresso.

Os estudantes agregaram mais bagagem e embasamento de estudo, já que os modelos dos anos anteriores serviram como exemplo e norte para preparação. Sem falar que os professores e os sistemas de ensino foram aprimorados, o que facilita no auxílio dos que precisam fazer o exame que passou a determinar o rumo da vida de muitos. Junto a esse contexto, a rede adventista de ensino também passou a ficar mais antenada à realidade que figura como rotina inevitável dos alunos do ensino médio. Com o auxílio e a didática proposta pelo SIE (focando os conteúdos, exercícios, simulados e dinâmica de abordagem fortemente voltada ao preparo para Enem), e complementado com outros recursos, as escolas adventistas vêm a cada ano melhorando o seu posicionamento nos resultados do exame.

Com um trabalho intenso e metodologias arrojadas de valorização do ensino e treino dos alunos para suportar todas as nuances que envolvem a avaliação (inclusive as psicológicas, já que muitos profissionais apontam que o maior desafio do Enem é o teste de resistência, dada a quantidade de questões, textos para interpretar e pouco tempo para se resolver), algumas escolas têm se destacado com elevados resultados, bem acima da média nacional, se colocando em suas comunidades como referências de ensino e preparo para o Exame Nacional do Ensino Médio.

Para conhecer mais de perto essas realidades tão promissoras e descobrir qual é a receita de sucesso das instituições, a revista escola adventista visitou em três regiões do país os quatro colégios adventistas com melhores notas no Enem, na comparação com todos os outros da rede. Uma semana na qual encontramos professores dispostos, estruturas atualizadas e sistemáticas pedagógicas muito bem desenvolvidas e acompanhadas de perto na caminhada estudantil até o dia da tão importante prova.

 

O segredo da campeã

A valorização do estudo diário é uma das estratégias que geram resultados surpreendentes no preparo para avaliação

Era um típico dia de chuva na cidade catarinense de Joinville. O ar molhado, o clima que não passava muito dos 24ºC e o cenário cercado de montanhas pintadas com um intenso verde florestal dialogavam com a arquitetura europeia do local, considerado uma das maiores “colônias” alemãs do país. A predominância de cabelos dourados e olhos coloridos reforçavam esse aspecto histórico presente no DNA da cidade, que apresenta uma das mais elevadas qualidades de vida do Brasil.

Um dos fatores que contribuíram para se chegar a esse índice foi o ensino nas escolas do município, que ostenta números invejáveis diagnosticados pelo Ministério da Educação: possui a melhor educação pública do estado de Santa Catarina. Talvez seja uma das heranças recebidas pelas raízes germânicas do seu povo, pois não é segredo para ninguém que a Alemanha só se estabeleceu como a potência atual, pois investiu pesadamente em educação. Não seria diferente com a rede adventista na cidade.

Detentora da maior nota do Enem entre escolas adventistas do país, o colégio de Joinville – unidade Saguaçu (CAJ) possui um trabalho focado na preparação para o exame e vestibulares de instituições da região. A imponente fachada de vidro e os acabamentos refinados e modernos se destacam entre as outras construções do local. Mas, apesar do impacto visual, o grande diferencial do colégio se dá dentro do prédio.

A coordenação pedagógica trabalha com o propósito de fazer com que os alunos se acostumem principalmente com a linguagem do exame. Para tornar isso possível, é desenvolvida uma série de ações que envolvem realização de exercícios, aulões temáticos, reforço no contra turno, treinamento pedagógico do corpo docente, acompanhamento aproximado da coordenação pedagógica, proximidade da família, atenção aos resultados e evolução individual de cada aluno e a criação de uma consciência de que o estudante precisa desenvolver uma rotina de estudo.

Para que os alunos cheguem até o ensino médio já familiarizados com o “estilo Enem”, “os professores já trabalham desde o 6º ano com questões e em sala de aula”, explica Patrícia Braga, coordenadora pedagógica do CAJ. As principais habilidades desenvolvidas são as interpretativas utilizando textos, gráficos e tabelas. No 9º ano se intensifica, dando ao estudante a possibilidade de participar das atividades acadêmicas do ensino médio. Quando finalmente chega ao primeiro ano já tem mais facilidade em lidar com as sistemáticas mais intensas da nova fase. Cada bimestre os professores aplicam duas provas e um trabalho. Os simulados (um do Sistema Interativo de Ensino, que têm as características adotadas pelo Enem, e outro focando em universidades da região) são realizados bimestralmente sob responsabilidade da coordenação pedagógica.

No caso específico do “terceirão” (que realmente é uma sala “ão”, com 48 matriculados em um espaço físico amplo, climatizado e decorado com cores divertidas e mensagens que lembram as metas a se alcançar) os professores aplicam apenas provas e simulados, para que os alunos se envolvam cada vez mais com o modelo que os espera em breve. A escola acompanha por amostragem os resultados das avaliações e, juntamente com os professores, desenvolve estratégias focadas para atingir lacunas identificadas de forma pontual e coletiva. Todas as avaliações são analisadas pela coordenação pedagógica, que verifica se estão de acordo com o perfil do Enem.

O professor deve, assim como no exame federal, colocar questões “fáceis”, “medianas” e “difíceis”. Para saber como categorizar os exercícios, os docentes recebem um treinamento profissional antes do início do ano letivo, promovido pela Associação Norte Catarinense, que, além da unidade de Saguaçu, também administra outros três colégios da região (entre eles o Iaesc, internato adventista com a melhor colocação no ranking do Enem, abordado mais à frente nesta reportagem) que também ocupam posições de destaque na rede do país. Ireny Ricken, departamental de Educação da administração regional, lembra que o trabalho mais unificado tem gerado resultados positivos em todas as escolas do campo. “Recebi o resultado da União Sul Brasileira mostrando que os 10 alunos melhor colocados do Brasil na rede adventista estavam em nossos quatro colégios”, conta em tom comemorativo.

Para se chegar a esse resultado, a associação desenvolve junto a todas as escolas projetos como o Teen Colors, que são atividades visando a preparação para vestibulares e o Enem. Dentre as características do programa destacam-se encontros com os professores de redação e matemática contratados pelo campo para acompanhar os alunos de forma mais intensa. Os profissionais frequentam mensalmente as escolas e os alunos são comunicados para que possam tirar suas dúvidas com o professor, o CAJ também é beneficiado. Mas, talvez, o grande diferencial do colégio fica por conta da quantidade de exercícios da apostila e outros propostos pelos professores que os alunos precisam realizar. O interessante é que são atividades não pontuadas, pois a escola tenta conscientizar o aluno de que ele precisa resolver questões para aprender. “No dia a dia da sala de aula é feito um trabalho de conscientização com alunos para reforçar a ideia de que eles precisam desenvolver autonomia e o foco de estudo para o Enem”, destaca Selma Natália, professora de educação física. A ideia é a de que o conteúdo seja introduzido em sala e, na sequência, os exercícios são propostos, se o aluno tiver alguma dificuldade ou dúvida na resolução dos problemas ele leva de volta para a sala de aula, onde terá a correção realizada com ministração docente. “Os exercícios fazem muita diferença na hora da prova”, salienta Ana Júlia Vieira, estudante do 3º ano.

Se for identificado que o aluno não está realizando os trabalhos, a família é contatada via e-mail para que sempre esteja ciente do que acontece na escola. Aliás, essa é outra característica do colégio: proximidade com a família. O esforço é fazer com que todos se envolvam com o processo de formação. O colégio utiliza o modelo de conselho de classe participativo, no qual os alunos que possuem problemas com notas em determinadas disciplinas são convocados juntamente com seus pais para uma conversa com o professor com intuito de discutir o que ocasionou esse problema, além de propor possíveis soluções para a questão. Uma das alternativas pode ser a indicação de reforço escolar. Aulas oferecidas duas vezes por semana no contra turno.

Frequentamos uma dessas aulas com um ambiente mais intimista e focado, os estudantes fitavam os olhos na explicação. Nem todos foram “convocados” para estar ali, pois a oportunidade também é oferecida aos que, mesmo “sem necessidade”, desejam participar. Nesses horários, os alunos também podem utilizar para aprimorar sua redação. Semanalmente a professora lança temas para que os alunos se juntem em trio com intuito de discutir e, em aula, façam um painel sobre a questão e, na sequência, produzam um texto. A redação é corrigida de acordo com as competências exigidas pelo Enem, pontuadas e devolvidas ao aluno que tem a oportunidade de reescrever o texto considerando as ponderações do avaliador. “Já é o segundo ano que a professora de redação trabalha temas nas unidades que caíram de forma muito aproximada no Enem”, menciona Neide Kupas, diretora do colégio. Para ter um acompanhamento mais próximo da professora nessa “reformulação”, o estudante tem a oportunidade de utilizar o horário de reforço para aprimorar seu texto e, consequentemente, sua nota.

Duas questões complicadas encaradas pelos estudantes nessa fase é a psicológica e vocacional. E é um acompanhamento que o CAJ procura dar bastante atenção. Os alunos são preparados para descobrir quais são suas afinidades utilizando o acompanhamento de profissionais multidisciplinares e, assim, são melhor preparados para suas decisões que determinarão o foco dos seus estudos. Falando em multidisciplinaridade, essa é uma característica forte do Enem. Para que os alunos visualizem isso além dos exercícios, a escola promove aulões que tematizam questões atuais e relevantes e, num momento em que todos os professores participam, são abordadas inúmeras questões referentes à situações que competem a cada área do saber. Já ocorreram, por exemplo, aulões sobre a Segunda Guerra Mundial e UFC, identificando questões de todas as áreas. “Os aulões promovem a interdisciplinaridade propostas pelo Enem”, observa Davi Pini, professor que foi agregado à equipe no início do ano, mas que já demonstra estar no ritmo das diretrizes  pedagógicas do CAJ.

São muitas as ideias e metodologias que estão dando certo no colégio, mas, seguindo os pareceres que constatamos em conversas com a alunos, dois fatores são importantes: proximidade com os professores e com Deus. Dentre os estudantes, talvez a questão mais lembrada é a relação que os docentes têm com os alunos. “A gente é amado na escola adventista, pois os professores estão preocupados com nossa vida acadêmica e espiritual”, enaltece Suzane Teuber Schulze, estudante do 3º ano. Todos esses fatores colocaram o colégio adventista de Joinville – unidade Saguaçu como referência na região. “Desde 2010 fomos trabalhando com pedagógico e, ano a ano, melhoramos duas colocações. No último resultado divulgado pelo Inep, a escola, que antes ficava em 12º, se posicionou em quarto lugar na cidade”, comemora Neide.

O nome do colégio tem tanto peso que serve até para referência geográfica na venda de imóveis da região. “Tem um condomínio ‘chic’ aqui próximo e, na placa publicitando o empreendimento, eram pontuadas vantagens da localização. Dentre elas me chamou atenção o item ‘fica a 500 metros do colégio adventista’”, relata Patrícia. Talvez a maior “chiqueza” que a escola pode oferecer aos alunos, pais e comunidade é a satisfação de proporcionar um ensino baseados em valores eternos, que tornam seus estudantes cidadão de destaque e preparados para encarar os desafios da vida de forma diferenciada.

 

Propostas

Colégio Adventista de Saguaçu – Joinville

Média Enem 2014 média das questões objetivas + redação

. CAJ – 600,5  (nacional – 486,8).

  • – Fomento ao hábito de estudar;
  • Realização diária de listas de exercícios;
  • Simulados;
  • Preparo de professores para adequação às metodologias do Enem;
  • Aulões temáticos;
  • Reforço;
  • Produção periódica de redações.

 

O plano piloto

Os resultados de um trabalho pedagógico arquitetado e organizado em detalhes para fazer com que o estudante se prepare da melhor forma para o Enem  

Pisar pela primeira vez na capital federal foi um impacto surpreendente. A arquitetura deslumbrante em diálogo com o crepúsculo rubro do planalto central produziu imagens marcantes. Mas outras características da cidade também causaram memórias intrigantes. A complexidade das asas, quadras, setores, módulos e lotes dão um nó na cabeça de forasteiros, que não conseguem compreender como é possível uma cidade não nomear suas ruas. A maioria dos moradores garante que, com o passar do tempo, a genialidade do urbanista Lucio Costa é comprovada quando se constata que realmente é mais fácil e organizado encontrar um endereço dentro desse modelo. De qualquer forma, é um “universo” diferente e confuso a principiantes. Ainda bem que pudemos contar com gentileza de Wilmar para nos levar do aeroporto internacional Juscelino Kubistchek até o Setor Grandes Áreas Sul (SGAS) 611, Módulo 75, Asa Sul, onde ele trabalha como diretor financeiro e local que também desenvolveríamos nosso trabalho.

Chegamos em mais ou menos 20 minutos. Um prédio novo, imponente, bem arquitetado… muito bonito! Ao entrar no colégio adventista Milton Afonso (Ceama) fomos envolvidos com a estrutura impecavelmente pensada, além de uma onda de simpatias e positividades. Alunos, professores, monitores, pais e funcionários. Todos com um sorriso espontâneo e um olhar de boas-vindas. Fomos apresentados às amplas e modernas instalações do colégio recém-reformado. Talvez esse tenha sido um dos fatores para a instituição figurar como a terceira colocada da rede no Enem. Mas, se formos considerar todo o trabalho pedagógico realizado na instituição, é possível constatar que a estrutura é apenas uma cereja que veio para coroar todo um sistemático trabalho desenvolvido ao longo de anos.

São nas séries anteriores ao ensino médio que os trabalhos mais focados são realizados com intuito de preparar os alunos para que cheguem ao ensino médio familiarizados com o estilo do exame. A partir do primeiro ano, esse trabalho é reforçado e, no terceiro, passa a ser extremamente focado. Para que os estudantes tenham consciência dos esforços que precisam concentrar intencionando conseguir um resultado de acordo com a realidade exigida para aprovação no curso que pretende cursar. Para isso, são desenvolvidos programas vocacionais no primeiro e segundo ano do ensino médio.

Chegando ao terceiro, é promovido um fórum em que o aluno aponta o curso que ele deseja fazer e, a partir disso, descobre as metas que terá de seguir naquele ano, considerando notas de corte, disciplinas que precisa se focar mais e possíveis universidades. A coordenação pedagógica e os professores ficam a par dessas informações e acompanham os alunos ao longo do ano. Para o ensino médio do Ceama, as avaliações dão um peso maior para as provas (80%), utilizando as competências exigidas pelo Enem. Agregam também à composição da nota os simulados do Sistema Interativo de Ensino e outros, focando vestibulares regionais (10%); projeto interdisciplinar (10%); e o portfólio, que pontua anotações em caderno, presença e participações em sala de aula (mais 10%, funcionando como um ponto bônus).

Tudo isso valorizando o tempo de estudo em sala de aula. “Aqui, o ensino médio possui, além dos sete períodos pela manhã, duas tardes de aulas obrigatórias das 14h às 17h”, explica Gibaldo da Veiga, diretor do colégio. Essa realidade é uma peculiaridade de poucas escolas do país. Para acompanhar de perto todo o desenvolvimento dos estudantes, a coordenação pedagógica desenvolveu um controle sistemático das provas e simulados que os alunos realizam. “Esse grupo tem um acompanhamento da coordenação pedagógica de todo o processo de ensino-aprendizagem. A proposta é fantástica. Um diferencial muito grande”, constata a coordenadora pedagógica da Associação Planalto Central, Glaucia Lima.

A cada resultado, tem-se um diagnóstico detalhado sobre o que o aluno mais acertou, mais errou, no que ele precisa melhorar, além de traçar uma análise geral da turma. “Com isso, passamos para os professores as áreas que eles precisam reforçar com os alunos. Parecer que mostra em quais áreas precisamos concentrar mais esforços”, esclarece Valquíria Couto, coordenadora pedagógica do ensino médio. Os alunos são conscientizados de todas essas situações para que possam encaminhar suas rotinas de estudo.

Por falar em rotina, outra força do colégio é a utilização da plataforma Dudow, para que os estudantes diariamente façam os exercícios de treinamento do Enem. Eles precisam cumprir uma quantidade de questões. Os resultados e pareceres detalhados sobre a execução das atividades são acompanhados pela coordenação pedagógica. Os estudantes que conseguiram alcançar as metas propostas são premiados pela orientação educacional, sob administração da professora Cleide Corumbá.

Um projeto desenvolvido com alunos tem gerado bons resultados para revisão do Enem. A ideia é a de que sejam distribuídas cinco questões que caíram em edições anteriores do exame para cada aluno estudar. Ele leva esses exercícios para casa, resolve, coloca todos eles em “Power Point” e, em uma data previamente acordada, uma das questões que estudou é sorteada para que apresente a todo o ensino médio, fomentando o estudo, poder de argumentação e oportunizando o aprendizado do assunto aos outros colegas. Mais uma possibilidade de treino com o “estilo Enem”.

Falando em treino, a redação também é levada muito a sério. “Aqui a gente desenvolve muito, pois produzimos inúmeros textos e diversas propostas”, lembra João Gabriel Rossi, estudante do 3º ano. E esse é um importante destaque da escola que, na média de redação, obteve o maior resultado entre as três melhores colocadas da rede no ranking do Enem. Além dos trabalhos de imersão em possíveis temas e produção textual vinculados à disciplina lecionada pela professora Fernanda Schuabb, os alunos contam também com consultorias personalizadas com a professora Silvia Oliveira, que desenvolveu sua dissertação de mestrado na Universidade de Brasília sobre as redações “nota 1.000” no Enem. Em horários alternativos os alunos têm encontros com a professora, que avalia o texto seguindo a matriz de correção do exame, apontando questões positivas e que precisam ser melhoradas.

Todos os fatores apresentados aliados a um corpo docente motivado, bem capacitado, com discursos afinados e consciência da importante multidisciplinaridade do trabalho de preparo para o Enem ajudaram na construção de resultados tão positivos. “O investimento que a escola tem com química, física, biologia e matemática é muito grande. Na outra instituição que trabalhei tinha, em média, 115 aulas por ano. Aqui no Ceama tenho mais ou menos 185. A escola investe para que possamos nos aprofundar”, destaca o professor de física Rodrigo Santos de Oliveira.

A organização invejável da coordenação e a boa disposição da direção em acreditar e apoiar o bem articulado projeto pedagógico da instituição fazem com que o Ceama proporcione em nossas impressões de visitantes a ideia de que é possível chegar à excelência com um trabalho sistêmico. “Atribuo os resultados principalmente ao comprometimento da equipe de professores. Se eles não comprarem as ideias, você não faz nada. Graças a Deus temos um grupo bem focado aqui”, ressalta Valquíria. Na visão da “formanda” Natália Matos o sucesso obtido pela instituição deve-se à disponibilidade do corpo docente. “Aqui é um local onde os professores têm um carinho por você, mesmo que não perceba. Acho que é um diferencial desta escola. Quando você precisa de ajuda eles dizem ‘me procura em outros horários que eu te atendo’”, salienta.

Após alguns dias da visita, nos deparamos com uma frase do Lúcio Costa que pôde explicar um pouco dos motivos que o levou a 10 a organização de Brasília de forma tão diferente. Segundo ele, a “arquitetura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção”. Dentro da proposta que tinha de “inovar” e “organizar”, ele foi muito bem-sucedido. Hoje a cidade é uma referência para o mundo. Foi exatamente isso que ocorreu no Ceama ao longo dos anos, dentro de um contexto de aprimoramento educacional visando o Enem. As construções pedagógicas conseguiram atingir sua finalidade primordial de cultivar valores diferenciados, intencionando formar cidadãos que carreguem consigo um sucesso arquitetado para servir com excelência à sociedade, à pátria e, principalmente, a Deus.

 

Propostas

Colégio Adventista Milton Afonso – Brasília/DF

Média Enem 2014 (questões objetivas)

. Ceama – 579,8 (nacional – 502,5).

– Fomento ao hábito de estudar;

– Resolução diária de listas de exercícios;

– Simulados;

– Preparo de professores para adequação às metodologias do Enem;

– Projeto de revisão de exercícios;

– Produção periódica de redações.

 

Grandes resultados

Projetos que tornam o trabalho de preparo do Enem envolvente, focado e com resultados efetivos. 

Em São Paulo tudo é em grande escala. Economia, empresas, pessoas, transportes, culturas, prédios. Quase sempre, o estado se destaca como o “maior” nas mais variadas estatísticas. Essa característica é explicada historicamente pelo desenvolvimento do estado baseado na industrialização de diversas regiões. Esses números também se refletem na educação adventista. Dentre os dados grandiosos, um deles vem de uma cidade localizada na região metropolitana da capital. Com cerca de 2,5 mil alunos, o colégio adventista de Taboão da Serra é considerado o maior do país.

Ao chegarmos na escola, tudo chamava a atenção. O tamanho do prédio, a quantidade de alunos, a sistemática para realizar diariamente quatro recreios por turno, a infindável lista de professores, a estrutura monumental da instituição. Apesar de todos esses fatores saltarem de espanto os olhos, foi outro grande dado que nos levou até lá: a escola ficou em segundo lugar no ranking do Enem, considerando o resultado de todas instituições educacionais da rede adventista no Brasil.

Com um grande desafio de fazer com que o aluno crie o hábito de estudo, o colégio passou a desenvolver ao longo dos anos inúmeras estratégias para preparar os seus alunos de forma mais focada para o Exame Nacional do Ensino Médio. “Você não consegue fazer tudo como diretor. Numa escola grande você tem que ter bons auxiliares. Se você delega para pessoas competentes, o serviço sai bem feito”, explica Valdecir Mioto, diretor da escola. E realmente parece que o “serviço” tem dado certo. Focando no treino e na familiarização com o estilo da prova, os professores concentram os seus esforços para preparar os alunos das mais variadas formas.

Um dos instrumentos utilizados pelo colégio é a plataforma Dudow, que trabalha em três frentes: realização de simulados, listas de exercícios postadas semanalmente pelos professores e o desafio “Rumo ao Enem”, que consiste na resolução diária de questões dentro da plataforma. O sistema atualiza a coordenação com dados referentes às pontuações e assiduidade de cada estudante. Os alunos são motivados a resolver as atividades para que tenham um contato mais próximo com a realidade que encontrarão no exame. Além disso, também ganham pontos na média bimestral, de acordo com os acertos obtidos. Os que mais frequentam a plataforma também são premiados, como forma de motivar os alunos a manterem a boa média.

Mas é necessário também se atentar a outros detalhes que o Enem exige. São noventa questões para ser resolvidas em 4h30. Isso quer dizer que, para cada item, é preciso demandar três minutos, no máximo, de execução. Com intuito de treinar esse aspecto tão importante com os alunos, uma vez por semana é realizado o Teste Cronometrado. A ideia é a de que os professores separem cinco questões de Enem para serem resolvidas em 15 minutos.

Os alunos têm exatamente esse período para terminar a avaliação. “A gente considera que é muito importante que ele se atente ao tempo que terá disponível para fazer a prova”, explica Maria Catarina de Souza, coordenadora pedagógica do ensino médio do colégio. No entanto, Catarina esclarece que nem todos estão plenamente acostumados. Os alunos que enfrentam dificuldades para se adequar ao tempo são acompanhados para que, a cada teste, consigam obter melhores resultados.

E se o treino é capaz de melhorar o desempenho, o estudo fortalece conteúdos que possivelmente venham a cair no exame. Esse é o propósito das aulas preparatórias. Em média, duas vezes por semana, entre 17h30 e 19h30, os alunos são convidados a participar do intensivo. Cada dia, uma disciplina é abordada, retomando e enfatizando conceitos que são mais presentes no Enem. A aula é optativa, mas muitos alunos participam desse reforço, que ajuda a tirar dúvidas importantes dos conteúdos.

Uma área que não pode ser esquecida é a redação. Com o projeto “Escreva Mais” os alunos são desafiados a produzir um texto por semana. Temas são debatidos juntamente com os professores e, em sala de aula, produzem uma redação, que é avaliada e devolvida. O aluno tem a oportunidade de reescrevê-la, seguindo as observações realizadas.

“Eu era muito inseguro para escrever. Mas, depois das aulas com a professora Edna e a professora Elza no projeto, elas acabaram com toda essa preocupação que eu tinha. Agora posso escrever uma redação sem problemas”, garante Rafael Henrique, aluno do 2º ano. Ao todo, o estudante e seus colegas (a partir do 9º ano) escrevem, em média, seis redações por bimestre. Fator que obrigatoriamente faz com que ele treine e melhore sua produção textual, tão importante na avaliação do Enem. Outro projeto que contribui para aumento de repertório e conhecimento é o “Atualidade”, onde os alunos são motivados a ler jornais e estar sempre antenados em tudo o que está acontecendo no mundo. O objetivo é o de preparar o estudante para possíveis temas em voga que venham a cair na redação e também ficar por dentro de questões que marcam a história atual do planeta.

No colégio adventista de Taboão da Serra, não é apenas no ensino médio em que os alunos são preparados para o Enem. Desde a educação fundamental, os estudantes são ensinados a lidar com as competências exigidas pelo exame, principalmente nos exercícios e provas elaboradas pelos professores. Claro que no último ciclo da educação básica os trabalhos são intensificados, pois os alunos estão mais próximos da avaliação que poderá determinar o seu futuro profissional.

A grande questão é a de que, nessa fase, além do problema de alcançar uma boa nota em processos seletivos, o aluno precisa, antes disso, definir qual carreira seguir. E essa não é uma tarefa fácil. Para auxiliar na tão complexa decisão, além de ajuda com projetos vocacionais, a escola desenvolve o Trabalho de Conclusão Parcial do ensino médio (TCPEM), que consiste em dar ao aluno a oportunidade de desenvolver um projeto que pesquise mais a fundo uma profissão. Sob orientação de um professor, o estudante deve relatar, em trabalho escrito, o histórico da área, instituições de ensino que oferecem o curso, faixa salarial da profissão, além de fazer um estágio com algum profissional da área. Na data previamente marcada, apresenta sua pesquisa para a banca. “O TCPEM está me ajudando muito a saber o que eu quero fazer na faculdade”, conta a Bianca Jardim, aluna do 3º ano.

Todas essas importantes e diferenciadas iniciativas ajudaram a tornar o colégio uma referência de qualidade para a comunidade em que está inserida e para a educação adventista de uma forma geral. “O nosso objetivo é o de que o aluno se desenvolva bem e tenha um bom resultado no Enem. Os professores são chamados, temos reuniões frequentes, tendo controle de tudo o que está sendo feito”, ressalta Catarina.

Para o professor de matemática Dário Francisco de Lima, o grande diferencial do corpo docente da escola é o de ter a humildade em reconhecer que é preciso se adequar a novas situações. “A gente muda constantemente. A gente está sempre perguntando, se autoavaliando, sendo avaliado. Então nós estamos continuamente trabalhando em mudanças”. Ajustes que fortalecem o poder de educar com qualidade para a Terra e, principalmente, para a eternidade. De certo esse é um propósito mais grandioso e nobre do que qualquer outra poderosa e deslumbrante estatística paulista.

 

Propostas

Colégio Adventista de Taboão da Serra – Taboão da Serra

Média Enem 2014 (questões objetivas + redação)

. CATS – 580,5 (nacional – 502,5).

– Fomento ao hábito de estudar;

– Realização diária de listas de exercícios;

– Simulados;

– Preparo de professores para adequação às metodologias do Enem;

– Aulões;

– Teste cronometrado;

– Projeto Escreva Mais;

– Projeto Atualidade.

 

24 horas na escola

Os diferenciais de uma instituição que transforma a vivência integral em benefício para um acompanhamento pedagógico próximo e intenso. 

Um lugar onde tudo cheira a novo. Os nove anos do segundo internato adventista mais “caçula” do país possibilitaram diversas adequações carregadas de inovações. Para começar, diferentemente dos modelos existentes de residenciais do Brasil, no Instituto Adventista de Ensino de Santa Catarina (Iaesc) todos os quartos são em formato de suíte, com espaços amplos, bem mobilhados e climatizados. Os prédios possuem uma arquitetura alegre e dialogam de forma padronizada entre si. Ano a ano mais alunos são matriculados. Mas, na lista dos diferenciais, o que mais chama a atenção é o destaque que a escola carrega quando o assunto é Enem. Mesmo tão novo ele já encabeça a lista dos colégios internos adventistas com maior desempenho no exame.

Toda a vivência do internato é canalizada em função do foco no estudo. Muitas vezes os pais procuram matricular o filho na instituição em função do acadêmico com a possibilidade do adolescente se dedicar ao preparo para o Enem e vestibulares da região. “Pelo o que observo, a grande maioria dos nossos alunos valoriza o estudo. Eles realmente levam a sério o hábito de estudar!”, enfatiza Wesley Zukowski, diretor geral da instituição. Os diferenciais começam com a boa oferta de professores, já que parte do corpo docente da escola também trabalha no colégio adventista de Saguaçu (em Joinville, cidade vizinha a Araquari, onde é sediado o internato às margens da BR 101) e carregam em suas práticas marcas das sistemáticas utilizadas pela escola, que é primeira no ranking de melhores instituições adventista de ensino no Brasil.

Dentre as questões pontuais, destaca-se o trabalho realizado nos residenciais. A rotina da instituição reserva um espaço diário em sua agenda para o estudo. Os alunos precisam obrigatoriamente parar todas as outras atividades para se concentrar à revisão de conteúdo, execução de atividades e realização de trabalhos.

Os estudantes com mais dificuldade ou com problemas em alguma disciplina são encaminhados para um período de estudo acompanhado realizado no prédio escolar, que possui uma sala com cabines individuais e professor disponível para acompanhar e ajudar a sanar suas dificuldades. “Aqui no Iaesc, por ser um colégio interno, por ser uma ‘bolha’ que nos protege das coisas lá de fora, eu sinto que eu consigo me concentrar mais, fico mais focado. Quando é semana de provas eu estudo mais. E o colégio auxilia muito nisso”, opina Gabriel Borges Boeira, estudante do “terceiraço”.

A estrutura pedagógica da instituição também se preocupa em envolver os alunos com atividades e questões do Enem, tornando parte da rotina dos estudantes que treinam com exercícios, simulados e as provas elaboradas pelos professores. “Todas as avaliações têm questões de Enem. Então nós temos trabalhado para que eles fiquem mais atentos a esse tipo de prova”, acrescenta Veridiane Feltrin, coordenadora pedagógica do ensino médio.

Com intuito de fortalecer conteúdos que caem com mais frequência no Enem, o colégio também oferece aulões para revisão. A cada edição, uma nova disciplina é explorada. O curioso é que o complemento é oferecido no domingo pela manhã e é optativo. Só vão os alunos que realmente estão interessados em aprender. “Eu fiquei admirada de ver a quantidade de alunos que veio aqui domingo de manhã!”, confessa Reni Zukowski, orientadora pedagógica do colégio. Segundo os estudantes, esse interesse se justifica em parte pelo suporte dado pelo corpo docente. “Os professores ajudam muito para que possamos confiar naquilo que a gente faz. Confiar que o nosso esforço, se realmente estamos nos dedicando, vai ser decisivo e suficiente para aquilo que a gente quer”, salienta a formanda Mirela Fernanda.

Inúmeros são os motivos que explicam o sucesso alcançado pelo colégio em tão pouco tempo de existência. Apesar de pequeno, provou que foi um período suficiente para mostrar o segredo do trabalho, do estudo e da pulsante vivência acadêmica em todos os contextos da estrutura institucional, favorecendo a formação do estudante que mora em um colégio interno.

 

Propostas

Instituto Adventista de Santa Catarina – Araquari/SC

Média Enem 2014 (questões objetivas)

. Iaesc – 557,2 (nacional – 502,5).

– Fomento ao hábito de estudar;

– Trabalho com listas de exercícios;

– Simulados;

– Preparo de professores para adequação às metodologias do Enem;

Aulões;

– Período de estudos nos residenciais;

– Sala de estudo com acompanhamento docente;

– Produção periódica de redações.

 

Thiago Basílio é jornalista, professor do Unasp-EC e mestrando em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/Unicamp).