Ensino fundamental 2 é tratado com pouca importância na educação brasileira

A fase da adolescência é cheia de crises e desafios. As mudanças parecem acontecer tão rapidamente que o próprio indivíduo não consegue acompanhar o ritmo, mesmo com tanta energia característica dessa fase. Na escola, as novidades do ensino fundamental 2 trazem – ou deveriam trazer –, mais independência para os estudantes. Mas não é isso o que acontece no Brasil.

Inserido em uma nova rotina acadêmica, ou aluno vê-se agora rodeado de professores, um para cada disciplina, diferentemente do ensino fundamental 1, em que havia apenas uma professora na maioria dos casos. Isso deveria torná-lo, então, mais independente, mas a falta de políticas e programas educacionais nessa fase gera um déficit na carreira estudantil.

Esse esquecimento, segundo a pedagoga Luciane Hess, gera uma evasão da escola. Preocupa-se muito com o ensino médio e o preparo para o vestibular ou com a formação básica da criança nos primeiros anos escolares. Para Luciane, esse é um erro, porque os alunos podem se sentir atrasados e incapazes, e podem chegar a largar os estudos.

A mestre em Educação Raquel Perrini defende que uma melhora no ensino fundamental 2 deve partir de políticas públicas específicas para esse período e na formação desses professores. Além disso, ela aponta que é preciso inserir Tecnologia de Comunicação e Informação (TCI) nas aulas e motivar os docentes. Para haver melhoria, o ensino fundamental 2 precisa estar presente em mais rodas de conversas acadêmicas e de pesquisas.

 

Camila Torres é redatora da REA e estudante de jornalismo do Unasp.