Faz-se preciso buscar novos métodos de aperfeiçoamento das técnicas redacionais

Temido pelos formandos e aclamado pelos “produtores” de memes, o Enem é o exame mais aguardado do ano. Para os alunos, a prova é a chance de ir para a faculdade. Para a internet, é o evento onde os atrasados viram piada e as pérolas das redações tornam-se virais. Por mais cômico que seja, os textos estão recheados de argumentos fracos e errôneos, além dos clássicos erros gramaticais. E isso é um problema.

No Enem de 2016, apenas 77 vestibulandos alcançaram a nota máxima (1000) na redação. O quadro é ainda mais desesperador ao constatar que 84.236 textos foram zerados, boa parte deles por fuga ao tema. Questiona-se, então, as soluções cabíveis. Não há uma fórmula, mas existem passos que colaboram para o aprimoramento da escrita (e vão muito além de oficinas textuais).

A leitura é uma delas. Ler instiga o pensamento crítico, a organização de argumentos e a construção de texto adequada. Conhecendo as ideias do autor, o leitor pode replicar o conceito ou desenvolver uma refutação. Além disso, quem lê aprende na prática os gêneros textuais enquanto enriquece o vocabulário.

Infelizmente, os brasileiros não têm muita estima por livros. Apesar do aumento do número de leitores (aqueles que leram ao menos um livro dentro de 3 meses), o Ibope aponta que 44% da população ainda é não leitora. 30% do povo nunca sequer comprou um livro! Entre os estudantes, a média de livros lidos por ano chega a quase 10, devido às indicações literárias da escola.

Ainda assim, percebe-se que a realidade geral é de descaso por livros. Em época de internet e smartphones, é mais fácil para o aluno buscar um resumo ou vídeo que explique uma obra. Dá menos trabalho do que ler o livro. Em partes, a “vilã” é a família, que não criou na criança o hábito da leitura. Mas a culpa pode recair sobre a escola se a mesma não tentar mudar o quadro.

Para isso, o colégio tem aliados como a biblioteca, que possui vasto acervo para vários públicos e temas. Por mais que o aluno tenda a escolher os livros mais finos, incentive-o a se desenvolver na leitura até encarar livros mais complexos e extensos. Use a criatividade para sair do normal e promover momentos agradáveis! Outra dica para enriquecer a prática textual em forma de redação é dar utilidade ao texto. Não faça com que o aluno escreva apenas para ganhar nota. “Garimpe” projetos e concursos de redação e incentive-os a escrever comentários para revista, por exemplo.

Busque atingir um estado onde o aluno leia por conta própria, sem obrigação. Assim, teremos futuros leitores – lendo muito mais que 1 livro em 3 meses – que poderão reverter a situação de analfabetismo funcional do Brasil. Quem sabe, nas próximas edições do Enem não teremos muito mais alunos nota 1000 em redação?!

 

Evelyn Apolinário é redatora da REA e estudante de jornalismo do Unasp.