Educação e comunicação aliadas formam um time poderoso como instrumento de ensino

Não é de hoje que acontece o conflito entre o que pais e professores ensinam e o que as crianças aprendem na rua e, principalmente, com os meios de comunicação. Se há dez anos a preocupação era com o que os baixinhos assistiam na televisão, hoje o espectro é muito maior para uma geração que já nasce com o dedo deslizando sobre o smartphone. Entretanto, culpar a mídia não é a melhor solução, o ideal é que todos os envolvidos desenvolvam visão crítica para que a aprendizagem seja saudável.

Pensando nisso, nasceu a Educomunicação. No Brasil, em 1996 foi criado o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da Universidade de São Paulo (USP). O núcleo reuniu pesquisadores de várias instituições brasileiras, e a primeira pesquisa revelou dados interessantes que ainda servem como base. O objetivo era descobrir o que pensavam os coordenadores de projetos e qual o perfil dos profissionais nesta área.

Conceituou-se então, que esse campo de estudo é “o espaço que membros da sociedade se encontram para implementar ecossistemas comunicativos democráticos, abertos e participativos, impregnados da intencionalidade educativa e voltado para a implementação dos direitos humanos, especialmente o direito à comunicação.”

Já em relação ao educomunicador, a pesquisa aponta que o profissional “demonstra capacidade para elaborar diagnósticos e de coordenar projetos no campo da inter-relação das duas áreas e, entre suas principais atribuições está a implementação de programas de ‘educação para a comunicação’, favorecendo ações que permitam que grupos de pessoas se relacionem adequadamente com o sistema de meios de comunicação e o assessoramento a educadores no adequado uso dos recursos da comunicação, como instrumentos de expressão da cidadania.”

Em suma, a educomunicação ainda carece de mais estudo, pesquisa. Ela necessita ser aplicada em grande parte do sistema educacional brasileiro para que, assim, professor e aluno ampliem os conhecimentos utilizando os meios de comunicação, ao mesmo tempo em que colaboram para uma fiscalização da produção midiática. É preciso saber fazer para reclamar – ou não – do jeito que as coisas já são feitas.

Para saber mais sobre o perfil do educomunicador, acesse:

http://www.usp.br/nce/wcp/arq/textos/29.pdf.

 

Camila Torres é  redatora da REA, e estudante de jornalismo do Unasp.