Método Fônico propicia relação entre sons e letras a partir da interação semântica de seus significados.

O-l-h-a-r p-a-r-a a-s l-e-t-r-a-s, jun-tar as sí-la-bas a-fim de formar palavras! Eis um dos métodos familiar a maioria dos brasileiros alfabetizados por meio de pontilhados e contornos. O zunido produzido pela abelha mantinha o mesmo traçado da letra A e da palavra ABELHA nas cartilhas. Os traços se apresentavam separados para o aluno passar o lápis e contornar, praticando assim a memorização. Um processo onde se partia das letras para posteriormente chegar ao som.

Paralelo a esse método ideovisual, outra maneira de alfabetização surge apontando que o problema não se encontra propriamente na aprendizagem silábica em si. O xis da questão é trabalhar os fonemas e os grafemas de forma a levar o aluno a relacioná-los. O método fônico foi escolhido desde de 2012 como modelo de alfabetização na educação básica no Colégio Unasp-Ec. Trabalhar dessa forma propicia ao aluno maior apreensão sobre os sons da língua e o reconhecimento da organização desta, tanto na fala como na escrita (Martins, 2007).

Além disso, o método favorece a relação grafema-fonema e seu inverso, desfaz a confusão conceitual entre fonemas e letras, e leva o aluno a desenvolver a consciência fonológica porque passa a relacionar os sons utilizados na fala com aqueles apreendidos na escrita.

Dos livros e artigos para a sala de aula. Como colocar esse método em prática? Veja as dicas:

  • Jogos sonoros: Caça rimas, dados sonoros, batalha das palavras. Estes são apenas alguns dos jogos propostos no Manual Didático de jogos de alfabetização produzido por professores da Universidade Federal do Pernambuco em parceria com o Ministério de Educação. O objetivo é, de maneira lúdica, levar a criança a compreender que as palavras são compostas por unidades sonoras que podem ser pronunciadas separadamente, com semelhanças e diferenças. E assim, desenvolver a consciência fonológica por meio da exploração dos sons das sílabas iniciais das palavras;
  • Palavras-chaves: A partir de uma história contatada coletivamente em sala, destaque algumas palavras-chave para que os alunos façam correlação entre fonema/grafema e grafema/fonema. Exemplificando: a palavra “foca” é pronunciada por uma criança. Ao emitir o som do fonema /f/, a boca do aluno deve ser fotografada para que sejam estabelecidas as relações complementares entre som e significado. Constrói-se, a partir desta imagem, uma tabela com a foto da boca do aluno e as possíveis representações gráficas daquele fonema, no caso, o /f/. A partir daí, várias atividades podem ser desenvolvidas utilizando como material as imagens das bocas produzindo os sons. Essa atividade foi proposta pelas professoras do curso de pedagogia do Unasp-EC Betania Stange Lopes e Stella de Mello Silva.

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O método fônico não é nenhum abracadabra. A alfabetização não acontece da noite para o dia e o meio no qual o aluno se insere deve ser considerado. Ela requer do professor o papel de mediador e para tanto exige dele um conhecimento teórico-linguístico a fim de que o processo não perca sua eficácia.

Sendo assim, se ligue ao som e mãos à obra!

 

Luciana Ferreira é redatora da REA graduada em Letras e estudante de Jornalismo do Unasp.