A coordenação desempenha a tarefa fundamental de tornar as mediações de ensino mais práticas, eficientes e pedagogicamente efetivas.

A atuação do coordenador pedagógico em uma escola torna-se cada vez mais essencial para o bom desenvolvimento do trabalho pedagógico. Tanto a lei de diretrizes e bases da educação de 1961 quanto a de 1971 já previam a formação de supervisores para atuarem na educação. Porém, sabe-se que a concepção que se tinha da função do supervisor escolar como aquele que “vigia” e “controla” estão sendo superadas por uma visão de trabalho democrática e articuladora, recaindo sobre o coordenador pedagógico o papel que antes era atribuído ao supervisor, porém, agora em um novo formato.

A educação sempre reflete um momento histórico e uma organização social, pois trata-se de uma das instituições formadoras da sociedade. Atualmente, em um contexto de informação, globalização, valorização da diversidade, entre outros, busca-se, na escola, um profissional que saiba ouvir e articular os diferentes saberes dentro da instituição escolar. Já não é interessante mais um profissional que tome as decisões de maneira individual e autoritária.

Percebe-se como fundamental o trabalho de mediação entre professores e alunos, pais e professores, direção e professores etc., trabalho esse que o coordenador pedagógico deve estar atento, uma vez que é um dos definidores do funcionamento de uma instituição educativa. Segundo Celso Vasconcellos, o cerne do trabalho do coordenador pedagógico está em articular a proposta do Projeto Político-Pedagógico da escola, o tão discutido PPP. Ele contém toda a concepção de trabalho da instituição, nele estão previstos a realidade da escola, os trabalhos que são desenvolvidos e os desafios que devem ser enfrentados. Nesse sentido, faz-se essencial que o coordenador conheça com profundidade a proposta de trabalho da escola, para que sua função de mediador e articulador seja pautado nela.

Embora haja, muitas vezes, uma sobrecarga na atuação do coordenador, que o pesquisador Geglio denomina de “desvio de função”, cuja tarefa nem sempre corresponde com ao real papel que esse profissional deveria desempenhar, deve-se sempre buscar o foco para que as questões pedagógicas não fiquem em segundo plano na escola. Ainda de acordo com o autor, “o coordenador pedagógico exerce um relevante papel na formação continuada do professor em serviço […] planejar e acompanhar a execução de todo o processo didático-pedagógico da instituição”.

Além de acompanhar e auxiliar o trabalho dos professores, cabe também ao coordenador promover na escola espaços de estudos e reflexões sobre a prática pedagógica. Vasconcellos afirma ainda que as reuniões pedagógicas podem ser espaços de “desalienação” e de ruptura com o individualismo, pois configura-se como momento democrático de partilha de experiências, de dificuldades, de conhecimentos, entre outros, em um objetivo de organizar melhor a escola.

Outro ponto importante do trabalho da coordenação, além dos dois já mencionados é o trabalho com as famílias. Essa é uma das funções mais delicadas da coordenação, o lidar com os responsáveis pelos alunos. Em meio a uma crise de valores que envolve a sociedade em um todo, mais especificamente a família e a escola, essa função torna-se bastante complexa e importante. A pesquisadora Luzia Angelina Marino Orsolon explica que a relação entre família e escola deve ser de cumplicidade. “A parceria constitui o encontro de diferentes para realizar um projeto comum. A parceria em questão é a educação da criança ou adolescente, filho e aluno, o que significa assumir juntos essa educação”. Como um dos aspectos primordiais dessa relação, a autora reforça que deve haver um trabalho intencional para a participação dos pais. “[…] as ações coordenadoras de parceria nas relações família-escola, quando se pretendem transformadoras da situação vigente, precisam considerar […] a capacidade e a disponibilidade do coordenador para ouvir, escutar, saber fazer, tolerar, instigar, dialogar, buscar parcerias”.

Percebe-se o quão importante é o trabalho do coordenador pedagógico em uma escola. Buscou-se abordar alguns aspectos, mas não foi esgotada toda complexidade que envolve a função. Ela se caracteriza como importante e fundamental não por ocupar uma posição superior em relação às outras funções realizadas na instituição, mas pela essência do seu fazer que está totalmente associada a apoiar e servir. Quando a escola não define bem o trabalho desse profissional, como mencionamos, há um grande prejuízo para o aspecto pedagógico da escola, uma vez que, ao assumir outras funções também importantes, mas não necessariamente suas, deixa de realizar aquelas que são propriamente de cunho pedagógico.

Portanto, considera-se fundamental na escola que o diálogo seja aberto, que o respeito seja mútuo, que os profissionais se apoiem reciprocamente e que os pais e alunos sejam sempre muito bem recebidos. Essa realidade não é simples de ser alcançada, mas, com dedicação e estudo constantes, vislumbram-se as possibilidades.

 

TOP 20 Características importantes de um coordenador

1. Trabalha de acordo com a concepção defendida pela escola;

2. Conduz de forma produtiva as reuniões pedagógicas;

3. É organizado;

4. Estuda constantemente;

5. Acompanha os processos de ensino e aprendizagem;

6. Assume o trabalho de formação continuada dos professores;

7. Ouve a todos que lhe procuram;

8. Compreende os professores;

9. Apoia o trabalho dos docentes;

10. Tem bom diálogo com os alunos;

11. Orienta de forma positiva os discentes;

12. Sabe conversar com os pais;

13. Prioriza o que é mais importante;

14. É mediador quando surgem situações de conflitos;

15. Aceita opiniões para tomada de decisão;

16. Estimula a prática de trabalho coletivo;

17. Incentiva a troca de experiências entre os docentes;

18. É um bom comunicador;

19. Sabe o momento de ouvir e de falar;

20. Quando necessário, percebe a necessidade de encaminhar o aluno para especialistas.

 

Rebeca Pizza é mestre em Educação, coordenadora do curso de pedagogia do Unasp-EC e editora técnico-pedagógica da REA.