Os dias começavam sempre da mesma forma. Rotina era o segredo para manter as atividades em ordem. Aos 20 anos, Vandir Schäffer acordava às 5h30, tomava seu café da manhã, e em seguida calçava o tênis, a camiseta branca de sempre e a calça jeans, se preparando para uma rotina diária bem puxada. Tinha de chegar pontualmente à faculdade onde estudava música para fazer as diversas tarefas pelas quais era responsável. Dentro de sua agenda, havia apenas um pequeno intervalo para o almoço, pois, além da sala de aula, Vandir também dava aulas de instrumentos de sopro e participava da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), no Rio Grande do Sul.


Foto: Unasp-EC

Apesar da correria diária e das grandes responsabilidades, Vandir nutria um amor incomum pela música, que começou a brotar logo cedo, na ocasião de sua infância. Aos 11 anos de idade, quando morava em Jaraguá do Sul (SC), sua cidade natal, o garoto-músico achou graça no instrumento trompete e, por isso, começou a estuda-lo aperfeiçoando-se com o auxílio do professor José Maria Barrios da OSPA. Por conta de sua curiosidade e talento, com o passar do tempo, Vandir começou a aprender outros instrumentos, como piano, flauta transversal e clarinete. À noite, ao voltar para casa, tinha o costume de dedicar tempo a eles.

Sua primeira experiência como professor aconteceu em 1974, quando ainda cursava o ensino médio no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), localizado na cidade de Taquara (RS). Lá ele morou e trabalhou por 19 anos, e teve chance de desenvolver seu trabalho por meio de aulas em conservatório, na escola básica e na produção de grupos musicais. Ainda adolescente, não tinha mais nenhuma dúvida. O pensamento que permeava sua mente era de que finalmente sabia o que faria o resto da vida: seria músico e educador. A certeza da profissão o levou a cursar Educação Artística com Habilitação em Música na Faculdade de Música Palestrina de Porto Alegre (RS), na qual se formou em 1981. Anos mais tarde, em 1992, Vandir concluiu o mestrado em Educação Musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também localizada em Porto Alegre (RS).

Música de amor

Durante o período de faculdade, Vandir não sabia mas teria uma bela surpresa: conheceria o amor de sua vida. A jovem Ana Moura, também apaixonada por música e educação, chamou sua atenção e também se encantou por ele. A reciprocidade de sentimentos os levou a namorar, e dali para o casamento foi “um pulo”. Em 1981, Ana e Vandir selaram sua união e, pouco depois, nasceram suas filhas Natiéli e Franciéli, que completaram a família. Com todas as mudanças, a rotina também havia “sofrido” modificações, e o professor, como pai e marido dedicado, fazia questão de assumir também as tarefas domésticas. Juntos arrumavam os quartos, lavavam os pratos e preparavam as refeições diariamente.

Vandir é descendente de alemães: reservado, disciplinado, muito focado no trabalho e quieto, características interessantes para um educador. Em casa, como parte da educação de suas filhas, o professor fez questão de utilizar de suas ferramentas educacionais para transmitir o amor pela música. Ele conta que, de vez em quando, elas o acompanhavam nos ensaios da orquestra e nas atividades musicais. Sempre muito atenciosas, faziam perguntas sobre os instrumentos, termos musicais que não entendiam, comentavam as aulas, pediam mais exemplos e exercícios, e se mostravam fascinadas por esse universo. Até que Valdir começou a ensinar-lhes a tocar piano, flautas doce e transversal, e clarinete. Ambas mostraram muito interesse, especialmente a mais velha, a Natiéli, que seguiu os passos do pai e atualmente é formada em Licenciatura em Música pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho (Unasp-EC).

O fatídico 1999

Um dos episódios profissionais mais importantes para Vandir aconteceu em 1999. Pouco tempo antes, o professor se mudou para Engenheiro Coelho, interior de São Paulo, juntamente de sua família. Mas foi em 1999 que ele começou a lecionar no Curso de Licenciatura em Música. Considerada uma das experiências mais ricas em sua vida profissional, Vandir teve a oportunidade de participar e elaborar vários projetos, como: formação de grupos musicais, organização da Escola de música, produção de eventos musicais diversos, aquisição de novos instrumentos para o campus e muito mais.

Além disso, o musicista assumiu cargos de responsabilidade como a diretoria da Escola de Artes do Unasp, que ficou em sua tutoria por 19 anos, a coordenação geral de “Encontro de Músicos” por 23 anos consecutivos, a regência do “Coral Jovem” e da Orquestra do Unasp-EC, além de participação como trompetista em inúmeras apresentações.


Foto: Lilian Rodrigues

Vandir trabalhou diretamente com milhares de alunos e teve incríveis retornos das experiências com eles. Ele destaca que um dos sentimentos mais gratificantes para um professor acontece ao “ver o aluno bem encaminhado profissionalmente na música e feliz naquilo que está realizando. Isso é muito significativo para mim”, diz com o coração cheio de gratidão. “Exercer influência para despertar no aluno o interesse e o empenho pela formação profissional escolhida é a definição de ensinar, e também oferece um sentimento de missão cumprida”, acrescenta.

Vandir Schäffer se aposentou em 2017, mas continua atuando como professor do Curso de Licenciatura em Música do Unasp-EC. Desde o início, o professor foi tomado pelo princípio de serviço e pela missão da Educação Adventista. “Nunca me vi dedicando meus dons em outras instituições que não pertencessem à rede Adventista. Foi um grande privilégio viver minha vida profissional através de ministérios de serviço e consagração a Deus”, finaliza o professor, que atualmente contribui para projetos musicais, colaborando como organizador e editor de publicações de vários materiais musicais e também na formação musical da Igreja Adventista.

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Texto escrito por Evelina Abdyl, estudante do 4º ano de Jornalismo do Unasp-EC e estagiária da REA
Revisão por Nathália Lima, coeditora da REA