Nascida em São Paulo, Marlene Chiaroti cresceu dentro das salas de aula de uma Escola Adventista, um período estudando e outro acompanhando a mãe, funcionária de uma unidade da rede. Desde pequena, sua função era auxiliar as docentes na correção dos cadernos e livros, colar atividades, rodar as provas no inveterado mimeógrafo, acompanhar os alunos no parque e biblioteca, nas aulas de Artes e Educação Física, entre outras tarefas.

Não foi por acaso que Marlene se apaixonou pela educação. A admiração por sua mãe, que sempre trabalhou na Rede Adventista, a satisfação que sentia em auxiliar um aluno com dificuldade e a realização por ver o crescimento daquele estudante foram coisas que a levaram para o caminho do ensino.

“É gratificante quando é feito um trabalho com o aluno e este mostra um resultado satisfatório”, ressalta. Logo após concluir a antiga 8ª série, Marlene se matriculou no Magistério. Sua paixão pela profissão não permitia que se dedicasse apenas aos estudos – ela precisava pôr em prática o que aprendia e, por isso, fez estágio desde o primeiro ano no curso.

Sua dedicação no trabalho educacional sempre foi perceptível por quem a conhecia, e assim surgiu o primeiro convite para trabalhar na área. Em uma creche, parceria da prefeitura com a igreja, Marlene deu início oficialmente a sua vida profissional.

Com muito saudosismo ela se lembra dos 32 alunos, todos com dois anos de idade, daquela comunidade carente. “Eu cuidava mais fisicamente dos alunos do que ministrava a parte acadêmica, pois vinham sem banho, muito sujos e com muitas necessidades. Mesmo assim, gostava muito do meu trabalho”, relata.

Após seis meses, outro convite, agora para trabalhar em uma escola particular. Durante o seu primeiro ano na escola, Marlene deu aula para a 5ª série e logo foi promovida para a coordenação. Sua rotina se dividia em dois períodos: pela manhã dava aulas, e à tarde exercia a função de coordenadora e orientadora.

A rotina das aulas também mudou quando foram implantadas salas temáticas, onde cada professor ministrava apenas uma disciplina e, assim, Marlene lecionava para todas as séries. Logo já não conseguia conciliar as aulas com a coordenação. Sendo assim, decidiu ficar apenas com a parte administrativa e se tornou vice-diretora da escola, atendendo alunos do maternal ao 9º ano.

Onze anos se passaram, e um chamado do Departamento de Educação da Associação Paulista Oeste foi feito: assumir a Coordenação Pedagógica do ensino fundamental II da Escola Adventista de Rio Preto (SP). Marlene prontamente aceitou e por um tempo precisou assumir também a coordenação do ensino médio, exercendo as duas funções simultaneamente.

Hoje, comemora quatro anos de carreira da Rede Adventista de Ensino – atualmente, ela é orientadora educacional e disciplinar dos alunos do maternal ao 5º ano. “Me realizo a cada conquista dos alunos, a cada desafio cumprido, a cada programa, a cada atendimento e cada novo resultado”, afirma.

Para a orientadora, o maior desafio é conseguir envolver a família na educação dos filhos. “O que vemos hoje são pais muito ocupados, envolvidos com seus deveres profissionais, cansados, estressados e entregando para seus filhos um objeto eletrônico sem supervisão”, afirma.

Para Marlene, cada dia na sala de aula é motivo para agradecer a Deus, e ela se realiza por fazer a diferença na vida dos estudantes. “O melhor de tudo é que de alguma forma eu posso levar Jesus ao coração de todos os alunos que passam por mim; por isso me sinto uma pessoa completamente realizada”, acrescenta.

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Texto escrito por Thais Fowler, estudante do 3º ano de Jornalismo do Unasp-EC e estagiária da REA
Revisão por Alysson Huf, coeditor da REA