Você conhece aquela história pregada a cada esquina de que o amor é o bem mais precioso que temos? Não à toa, ele também é pauta das histórias mais bonitas e filmes mais emocionantes. Talvez seja a motivação que precisemos diariamente e o fôlego que nos falta em meio a tanto egoísmo. Não será diferente dessa vez. A história de amor a seguir começa em 1986.

Era manhã de sábado, de um daqueles bem tradicionais, em que pessoas sorridentes se cumprimentam desejando “feliz sábado” – tradição muito presente nas igrejas adventistas ao redor do mundo. Nada de novo debaixo do sol, que há poucas horas reluzia seus primeiros raios.

A cidade de Santa Maria (RS) amanhecia mais uma vez com clima invernal, e, logo cedo, as crianças que entravam na igreja adventista da região saltitavam como se tivessem ganhado doces. Talvez a empolgação fosse resultado da recorrência de boas experiências que tinham naquele lugar. Ou talvez fosse a Escola Sabatina, que lhes enchia os olhos de excitação e que alegrava semanalmente o coração de Erony Fernandes, a personagem principal dessa história.

Foi através do contato direto com essas crianças, com idades entre 7 e 10 anos e que frequentavam a classe dos primários, que Erony se encantou pelo processo de educar. Isso aconteceu não apenas pelo prazer de passar conhecimento para os pequenos cidadãos em desenvolvimento, mas por demonstrar amor em forma de serviço. Com esse propósito em mente, ela ingressou na Universidade Franciscana (UFN), em Santa Maria (RS), sua cidade natal, e se graduou pedagoga em 1989.

Com o diploma em mãos e o vigor de uma jovem disposta a servir, a recém-formada professora trabalhou, logo no primeiro ano, em uma creche municipal e, posteriormente, em uma creche particular. Mas foi somente no início da década de 1990 que Erony recebeu um dos maiores presentes de Deus em sua vida: o de trabalhar na educação adventista. Era 1991, e a educadora começou a dar aulas na Escola Adventista Presidente Vargas – hoje Colégio Adventista de Santa Maria –, local em que trabalha até o momento.

A importância do local

Iniciando suas atividades em 1930 sob a liderança do pastor Gerônimo Garcia e da professora Éster Person, o Colégio Adventista de Santa Maria precisou paralisar as atividades durante alguns anos devido a um evento que abalou o mundo: a 2ª Guerra Mundial. Foi em 1944, no subsolo da Igreja Adventista, que a escola voltou a servir a população, até se deslocar para um prédio próprio em 1976. Quase quinze anos depois, em 1990, o colégio novamente mudou de local, e isso marcou a trajetória da professora Erony.

Quando questionada sobre um episódio que marcou sua trajetória, ela não hesita em afirmar que foi a compra de um espaço maior para escola. Antes da mudança, a escola se localizava ao lado da igreja e possuía poucas salas de aula; “não havia árvores, parquinho, e o pátio era muito pequeno”, relembra. Por meio de campanhas de arrecadação de recursos, e com a ajuda da União Sul-Brasileira, em 1996 foi adquirido o espaço, inaugurado dois anos depois, e “o que antes era uma enorme oficina, se transforma em escola. Pátio enorme, árvores lindas, parquinho e até uma fazendinha”, se orgulha a docente.

E não é de se estranhar que Erony fale com tanto orgulho do local em que trabalha todos esses anos. Ela relembra que já se reuniu com os demais professores para fazer um mutirão de limpeza na escola com o objetivo de ajudar no crescimento da mesma – que está em ampliação com a construção de um novo prédio administrativo –, sempre com esse espírito de união. “Sim, somos uma grande família”, afirma entusiasmadamente.

“Zoom” na sala de aula

É de fácil percepção a forma apaixonada com que ela se expressa ao falar da profissão e do local de trabalho. Imagine só como ela fala de seus alunos!  Ouvir o nome do aluno sendo aprovado no vestibular e “encontrá-los formados, alguns já médicos, engenheiro, profissionais exemplares, é extremamente gratificante”, celebra. Com tantos anos de experiência, já foi professora de filhos de ex-alunos e conta que não sabe como explicar a sensação ao ver os alunos realizados e com suas famílias formadas. Ela até brinca: “sou ‘profe-avó’”. Mesmo aposentada há dois anos, ela ainda se sente privilegiada por continuar exercendo a profissão a convite da instituição.

O segredo de tanto entusiasmo ela revela: a comunhão com Deus. “Preciso manter constantemente [a comunhão] para ser uma mestra abençoada e que alcance o objetivo, que é levar os alunos aos pés do Salvador”, afirma com seriedade. Mesmo lidando com as dificuldades comuns aos docentes, não abre mão do amor ao próximo. Ela conta que o amor a move a desenvolver paciência, carinho, e habilita a conviver com os alunos de maneira sábia.

Se ela pudesse gritar pelos quatro ventos, diria “ame, ame e ame!” – e aconselha: “ame a Cristo em primeiro lugar, ame Sua Obra, ame seu trabalho e tenha ele como seu ministério. Ame sua escola e seus alunos, pois o amor é a alavanca que nos proporciona equilíbrio, sabedoria e nos capacita”. Não é à toa que essa é mais uma história de amor. E daquelas!

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Texto escrito por Kemelly Ferreira, estudante do 4º ano de Jornalismo do Unasp-EC e estagiária da REA
Revisão por Alysson Huf, coeditor da REA