Ser professora sempre foi um sonho para a gaúcha Jéssica Trevilato. Quando pequena, ela organizava suas bonecas em fileiras e ensinava a elas tudo o que aprendia na escola. Depois de um tempo, mudou de ideia e pensou em estudar Jornalismo, mas voltou ao sonho infantil quando percebeu que sua paixão era ensinar e passar para as pessoas o seu conhecimento. Ver a evolução das pessoas a motivava. Quando decidiu seguir essa carreira, lembrou-se da professora de Língua Portuguesa da oitava série que tanto a inspirou. E pensou que, assim como ela, poderia inspirar outras pessoas também.

Nascida em uma cidade no litoral do Rio Grande do Sul, cursou o ensino fundamental II em escola pública. Quando foi estudar no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), notou que as aulas começavam com uma pequena meditação e uma oração – ali percebeu a diferença enorme em relação à antiga escola. Depois de concluir o ensino médio, foi estudar no Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho (Unasp-EC), e se formou no Curso de Licenciatura em Letras, em 2014. Jéssica recebeu o primeiro convite para exercer sua profissão na mesma semana em que se graduou e começou a dar aula na Escola Básica do Unasp-EC para as turmas de sexto e sétimo ano, local onde trabalhou até 2016.

Relembrando seu primeiro dia de trabalho, Jéssica descreve o nervosismo de quando deu a primeira aula. “Eu lembro que no primeiro dia de aula eu estava tão nervosa, principalmente em relação ao tempo. Não sabia quanto tempo iria levar para dar uma aula e fazer a apresentação. Por isso, preparei várias atividades para aquele dia. Hoje é algo tão natural que eu acho até engraçado”, recorda Jéssica.

A insegurança estava presente no seu início como educadora, mas ao longo do tempo, a jovem se sentia cada dia mais confiante e tinha certeza que era isso o que queria para o resto da vida. Depois de um ano, ela se casou, e seu marido recebeu um chamado para trabalhar na Escola Adventista de Novo Hamburgo (RS).

Lá, ele começou a trabalhar como capelão e ela como professora. Um dos grandes desafios que Jéssica enfrentou com os alunos foi em relação à facilidade e rapidez que eles têm para acessar informações. A professora acredita que isso cria uma falsa ilusão neles, motivando-os a pensar que não precisam prestar muita atenção nas aulas e que tudo pode ser alcançável apenas com um clique no celular ou uma pesquisa no Google.

Dependendo do conteúdo das aulas, Jéssica ensina os alunos seguindo uma metodologia tradicional de exercícios, mas tem outras formas também. Ela passa o conteúdo através de dinâmicas, de músicas, atividades em grupo, entre outros. Um dos seus grandes sonhos é poder impactar a vida de uma pessoa positivamente e que esta se lembre dela como alguém que era próxima de Deus e que a aproximou dEle.

Com cinco anos de experiência, Jéssica hoje dá aulas para as turmas de sexto,  sétimo e oitavo anos no Colégio Adventista de Novo Hamburgo (RS), e pretende permanecer na Rede Adventista de Ensino por enxergar ali os princípios que ela encontrou quando era uma aluna da instituição. “Poder ter a liberdade de falar de Deus para os alunos, poder falar para eles ‘vou orar por ti sobre um problema’ e fazer uma oração antes de uma prova é um grande diferencial de trabalhar em uma Escola Adventista”, comenta.

Para a Jéssica, é muito gratificante ter o seu trabalho reconhecido por alguma coordenadora. Um dos projetos que ela realizou em parceria com outra professora foi um campeonato de soletração. Outro foi um sarau literário. “Teve várias etapas, teve prêmios, e os alunos adoraram e se dedicaram muito à atividade. Foi tão interessante que até hoje os alunos lembram”, conta com alegria.

Além disso, receber o reconhecimento dos alunos pelo trabalho feito a emociona profundamente. Mesmo após se mudar para o Rio Grande do Sul, ela manteve contato com os ex-alunos do interior de São Paulo. No dia da formatura deles, escreveu um comentário na rede social de uma aluna para parabenizá-la e recebeu uma resposta que a deixou muito emocionada. “Professora, eu quero te agradecer porque você foi essencial para eu ter chegado até aqui. Se não fosse por ti, eu não estaria me formando no nono ano. Eu gosto do Português por tua causa”, relembra a professora agradecida e realizada.

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Texto escrito por Evelina Abdyl, estudante do 4º ano de Jornalismo do Unasp-EC e estagiária da REA
Revisão por Alysson Huf e Nathália Lima, editores da REA