A história de Guilherme Ferreira é feita de sonhos e conquistas. Nascido em Jandira (SP) e criado em São Paulo, capital, desde cedo precisou entender que a vida nem sempre é fácil. Durante a infância, seus pais preparavam chá de erva-cidreira ou água com açúcar para ele e sua irmã beberem na falta do leite, pois não tinham dinheiro suficiente. Sempre foi aluno de escola pública, enfrentou algumas dificuldades nos estudos e, durante o ensino médio, trabalhou no Instituto de Medicina Social e de Criminologia (IMESC) de São Paulo.

Aquele emprego era apenas para estudantes do nível médio; por isso, ao terminar os estudos precisou correr atrás de um novo trabalho. Isso fez com que nascesse o desejo ingressar em um curso superior e encontrar novas oportunidades. Pensava em cursar Direito, para continuar trabalhando na área criminal, Psicologia ou Teologia, mas, naquele momento, a faculdade parecia um sonho distante.

Guilherme nunca deixou de sonhar e batalhar por seus objetivos. Com 18 anos, em janeiro de 2015, ele começou a procurar emprego nas escolas adventistas da região, e foi no dia 2 de fevereiro do mesmo ano que o Colégio Adventista de Santo Amaro o contratou. Ele trabalhou por uma semana como monitor de alunos. Logo em seguida passou a exercer a função de auxiliar de informática e, em pouco tempo, se tornou auxiliar de orientação administrativa, entre outras funções, como auxiliar de secretaria.

O desejo de cursar Teologia ainda era real, o que transparecia em sua facilidade de criar sermões e pregar nas igrejas, por isso, sempre que tinha oportunidade estava ministrando. E foi através de um convite para pregar na Igreja Adventista do Vila Iasi, em Taboão da Serra (SP), que Guilherme conheceu o responsável pela central de bolsas filantrópicas do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). O convite para concorrer a uma bolsa de estudos surgiu e ele não hesitou em ir até o Unasp para se candidatar.

Guilherme conquistou uma bolsa 100% para cursar a tão sonhada faculdade, mas não foi para Teologia. O benefício foi destinado para o curso de Pedagogia. “Meu sonho era fazer teTologia, mas Deus mudou toda a minha estratégia, todo o meu caminho, me deixando com a certeza de que se de fato eu confiasse nele, com certeza o restante Ele faria por mim”, relata.

Guilherme concluiu a faculdade e continuou trabalhando na escola, agora como disciplinar de alunos. Isso fez com que seus sonhos começassem a alcançar novos horizontes. “Eu comecei a pensar que eu não preciso ser um pastor para pregar. Eu posso ser um professor ou um administrador de escola, pastoreando meus alunos, e assim vou ter um contato direto com a salvação deles”, afirma.

Em um passeio com os alunos ao Hopi Hari, sem que Guilherme esperasse, recebeu uma ligação convidando-o a ser vice-diretor da Escola Adventista de São Roque (SP). A surpresa foi grande e gratificante. Ele se mudou e assumiu o cargo de vice-diretor da escola. “Eu acredito que Deus fará grandes coisas, através de mim, naquela escola. Pois o nosso maior intuito não é matricular alunos, e sim salvar”, diz.

Com apenas 23 anos a vida já lhe proporcionou grandes vitórias, sonhos realizados e transformados.  São quatro anos de história da rede adventista e, como vice-diretor, sua função exige que ele tenha um contato direto com os alunos e funcionários, mantendo a disciplina na escola, ensinando os alunos que a escola é um processo de aprendizagem e preparação para o futuro.

“O maior desafio que nós temos é mostrar Jesus para as crianças e famílias, que em sua maioria não são adventistas”, declara. Todos os dias, Guilherme encontra novos desafios na administração escolar, mas a felicidade em fazer parte da formação do aluno é o que lhe alegra a cada dia.

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Texto escrito por Thais Fowler, estudante do 3º ano de Jornalismo do Unasp-EC e estagiária da REA
Revisão por Alysson Huf, coeditor da REA